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Um minuto de alma

Um minuto de alma

19
Jul18

Ontem

CB

Estive presente numa habitual reunião, julgava eu.

Só que não. Estive num pseudo funeral. Houve choro, drama, tragedia e horror pela partida de um elemento. Note-se: Para um departamente abaixo do habitual. E portanto estará ao nosso alcance sempre que o quisermos visitar.

Levamos um ano inteiro a fazer o que nos dá na real gana e depois temos a lata de carpir por uma mariquice destas.

Ou eu sou muito prática ou eu sou muito bruta e fria e prefiro acreditar na primeira.

Tinha pessoas a meu lado a chorar e ainda pensei oferecer um lenço de bolso. Queria ter-me vindo embora mais cedo mas tive que esperar que todos dessem as condolências pela alteração da coisa.

Ás vezes acho que nasci numa parte do mundo que não é a minha, ás vezes acho que aqui a tam tam  sou eu, mas que há coisas que me deixam de boca aberta há. Talvez por ter que lidar com a mudança de um outro elemento que mais me diz e realmente me importa não fiquei tão sensível a isto. Cada coração sofre por quem gosta, verdade?

Assim, vou seguindo o meu caminho sempre com os olhos arregalados para tentar perceber se nesta coisa a que se chama relaçoes humanas sou a infeliz e insensível realista. Não vá eu dar uma de brutamontes num mundo onde tudo é rosa e eu não entendo o drama pela mudança acontecida.

Hoje e após o cenário que presenteei se me pagassem uma viagem a Marte eu ia e nem fazia as malas.

Mas eu sou gaja e devo ter um feitizinho da m*rda.

 

 

É isso né? Tenho mau feitio?

 

 

 

18
Jul18

Sei de cor

CB

Aqueles passos trocados na solidão do silêncio procurado no cair da noite, no fim do dia.

Sei daquela paz que a cidade transmite quando todos dormem e eu me sento com a chávena de chá ainda a esfumaçar.

Porque há conversas que se devem ter connosco mesmo, de fora para dentro. Sei de cor a lágrima caída que alivia o cansaço de uma alma que se esconde no corpo aparentemente forte que transmite firmeza.

Sei de cor a ânsia pela hora banho que me leva ao passado, ao presente e ao supor do futuro. Sei da angústia da lágrima que se esconde atrás do nó da garganta. Porque a alma é feita de sentimentos e é ela a gestora de tudo o que impulsiona o coração.

São momentos de solidão intimistas mas precisos e preciosos para que a alma sustente o corpo. O corpo todos conseguem ver mas a alma é mostrada apenas a quem é revelada.

Há dias que me sinto como folha de papel amachucado. Não por fora, por dentro. E ás vezes nem tem nada de concreto a incomodar, é o cansaço acumulado. É o aplaudir de pé a coragem de alguém perante um mundo azedo e revoltante. Tem dias assim. Felizes por si só e outros que temos que os trabalhar para valer a pena.

Eu conheço... eu conheço todas as fraquezas, os limites e as fragilidades.

Sei de cor o sintoma de uma noite em claro e os olhos inchados pela manhã. É o mundo, é a vida, são as histórias e aquele sorriso.

Tudo isto eu sei de cor.

 

16
Jul18

Pelo caminho

CB

Dois corações encontram-se. Frente a frente e com o peito carregado de saudades. Os dias passados não tinham sido fáceis e a ânsia de se encontrarem era muita. Naquele momento abraçam-se e as pernas tremem. Tremem porque a força do sentimento é intensa e desmedida. Em silêncio unem as mãos e seguem estrada fora. Pelo caminho trocam sorrisos e num matar de saudades desfrutam da presença e do momento. E enquanto os olhares falam mais que os lábios, o abraço forte diz o quanto se querem.

E é muito. É tanto.

Não pesa.

E são felizes. 

13
Jul18

Bicho do mato

CB

Aqui a pessoa é bicho de mato. Foge de multidões, procura o silêncio e tudo o que tenha mais de dez pessoas já se torna sacrilégio suportar (um pouco de exagero mas é quase assim).

Hoje vou estar num convivío em que acho que vai estar meio planeta, não é bem meio planeta mas são mais do que as dez pessoas supostamente por mim suportadas ( e tenho mesmo que ir)

Passo a explicar:

1. O barulho teima invadir-me o cerébro mas até aí tudo bem porque digo meia parvoíce e a coisa disfarça

2. O barulho transtorna-me a alma e aí já é mais grave porque não há dor pior que a dor de alma (literalmente verdade)

3. Eu prefiro a companhia daquela pessoa sempre presente, reconforta-me o ser

4. Muita gente junta não conversa, diz palavras soltas (blá blá blá)

5.Gosto do meu canto e sei que ás vezes tenho de sair mas é uma superação pessoal

6. Até sou de fácil acesso e de fácil adaptação ainda que por dentro me apeteça fugir

7. Estou a pensar que se o vinho for tinto a coisa fica mais fácil

8. Copo e meio e já me rio por tudo e por nada

9. Ainda falta muito para amanhã?

10. Vai correr tudo bem

 

( corre sempre mesmo que eu fique de rastos  )

12
Jul18

Aquela ilha

CB

Quando cheguei ao local de trabalho ouvi uma colega dizer: "preciso de uma ilha para fugir e passar por lá uns tempos."

Aquela frase ficou na minha cabeça. Não que não a tivesse ouvido já mas porque pude perceber que somos pessoas diferentes num mundo esquisito mas com fragilidades muito semelhantes.

Não aceito tudo o que o mundo me propõe, umas vezes acho que por rebeldia, outras porque acho que não tenho que deixar que o mundo me transforme , não sigo os seus parâmetros. Nem me vejo na obrigação de os seguir. O Preço disso é muito alto.

Três coisas no mundo não entendo: a inveja, a falta de altruísmo e a maldade gratuita. Vivemos num mundo vazio, oco de sentimentos. E um mundo assim cansa, desgasta e faz-nos ganhar defesas que não seriam supostas ficar em nós. 

Creio que o suposto seria a comunhão entre uns e outros, a mão estendida, o respeito por uns e outros.

Até lá, até que o suposto seja a realidade do mundo em que vivemos vou tentando dar o melhor de mim e trocando alguns passos com aquele silêncio que também a mim me leva de viagem até essa ilha.

Até á ilha individual que todos nós temos no fundo da nossa alma. 

11
Jul18

Nevoeiro

CB

Gosto de nevoeiro.

Trago em mim a ideia que abrir a janela pela manhã e dar de caras com nevoeiro é das melhores sensações que sinto.

Há no nevoeiro um mistério, uma essência envolvente com que parece proteger algo que a ele muito lhe pertence.

Por vezes, fico a tentar olhar para lá dele, assim calmamente, como quem tem um debate com o olhar. Sinto uma calma que me reconforta e alenta a alma e o coração.

Nesses dias perco uns minutinhos a olhar para o ontem através da janela só para desfrutar deste.

Creio que não é algo muito comum este fascínio pelo opaco que o nevoeiro oferece mas pessoalmente, sinto que me equilibra.

Leva-me a tempos já vividos, a pessoas de quem muito gosto e a uma em particular que eu amo.

Hoje amanheceu assim. E foi perfeito. 

Para me acompanhar á janela tirei uma chávena de café.

Bom dia.

 

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