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Um minuto de alma

Um minuto de alma

23
Jul18

O caminho

CB

Dois corações abraçam-se num pôr de sol clandestino.

Apertam seus corpos como quem não quer partir. Entrelaçam as mãos e encostam as cabeças de um modo tão ternurento que o sol parece ter permanecido no mesmo lugar só para ver o que acontecia.

O vento soprava leve e a sua leveza trazia consigo lágrimas. Eram proferidas palavras em tons de promessa e um pedido de " não me deixes ir". Mas foi. Sem forças, sem objectivos, sem nada. Foi desorientado e só por ir. Para trás deixara o amor que lhe arrebatara o coração do peito. Não voltaria a ser o mesmo coração. 

Havia lágrimas de quem partia e de quem via partir. Doía mais que a morte porventura eminente. 

Escurecia e ao longe mal se via o coração dilacerado e sem rumo. Não tinha mais razão para seguir enquanto seguia, e seguindo transpirava desalento.

Ainda a observar tudo aquilo que em silêncio se ouvia e sentia, quem ficava a ver partir tinha o filme de tudo em frente dos olhos. Do vivido, do bom, das provações. Chorava, chorava muito e não sabia que fazer nem como reagir á dor de ver partir o amor por quem daria a vida.

Espreitava e ao longe ainda via.

Sentia aquele frio na barriga, aquele frio característico de quem cai por terra e tenta ser forte na fraqueza.

Olhou novamente para trás e já não via.

Fechou os olhos, limpou as lágrimas e a voz trémula do choro. E correu. Correu sem parar até chegar ao amor por quem vivera. Parou e em silêncio, uniram as mãos, abraçaram-se forte e seguiram caminho. 

Agora, aqueles corações estavam entregues um ao outro, limpado as lágrimas.

Puseram um sorriso no rosto e juntos seguiram unidos.

Apesar da noite avançada, pelo caminho ouviam-se promessas e brincadeiras cúmplices e no escuro a iluminar aqueles corações, agora felizes, estava o amor que os fazia permanecer vivos. Vivos um para o outro.

E os dois para a vida.

 

 

 

 

16
Jul18

Pelo caminho

CB

Dois corações encontram-se. Frente a frente e com o peito carregado de saudades. Os dias passados não tinham sido fáceis e a ânsia de se encontrarem era muita. Naquele momento abraçam-se e as pernas tremem. Tremem porque a força do sentimento é intensa e desmedida. Em silêncio unem as mãos e seguem estrada fora. Pelo caminho trocam sorrisos e num matar de saudades desfrutam da presença e do momento. E enquanto os olhares falam mais que os lábios, o abraço forte diz o quanto se querem.

E é muito. É tanto.

Não pesa.

E são felizes. 

11
Jul18

Nevoeiro

CB

Gosto de nevoeiro.

Trago em mim a ideia que abrir a janela pela manhã e dar de caras com nevoeiro é das melhores sensações que sinto.

Há no nevoeiro um mistério, uma essência envolvente com que parece proteger algo que a ele muito lhe pertence.

Por vezes, fico a tentar olhar para lá dele, assim calmamente, como quem tem um debate com o olhar. Sinto uma calma que me reconforta e alenta a alma e o coração.

Nesses dias perco uns minutinhos a olhar para o ontem através da janela só para desfrutar deste.

Creio que não é algo muito comum este fascínio pelo opaco que o nevoeiro oferece mas pessoalmente, sinto que me equilibra.

Leva-me a tempos já vividos, a pessoas de quem muito gosto e a uma em particular que eu amo.

Hoje amanheceu assim. E foi perfeito. 

Para me acompanhar á janela tirei uma chávena de café.

Bom dia.

 

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